Quando o emprego certo parece o lugar errado
Seis secretárias tinham ido embora da Rossy Corporation em apenas quatro semanas. Algumas saíram chorando, uma apareceu no elevador com a blusa manchada, outras deixaram a empresa sem sequer buscar seus pertences. Em Chicago, os rumores sobre o bilionário misterioso que comandava tudo naquele prédio corriam mais rápido do que o vento de inverno.
Eu só queria um trabalho. Tinha US$ 53 na conta, um salto quebrado e nenhum plano além de sobreviver ao próximo dia. Quando atravessei aquelas portas, não fazia ideia de que estava entrando no escritório do homem mais temido da cidade — Lorenzo Rossy, o chefe mafioso siciliano que todos descreviam como frio, implacável e impossível de agradar.
O que ninguém esperava era que eu fosse durar mais do que uma hora.
“A maioria das pessoas entra ali com medo. Eu entrei com pressa, chuva no casaco e a sensação de que o pior já tinha acontecido.”
O primeiro encontro
O andar quarenta cheirava a limpeza e café recém-passado. Quando o elevador abriu, senti imediatamente que eu não pertencia àquele lugar. Meu blazer de brechó estava encharcado, meu cabelo grudava no rosto e meu sapato direito parecia ter encolhido depois que o salto se partiu no centro de Chicago.
Um homem alto, de ombros largos, me observou sem sorrir. Perguntou se eu era a secretária. Respondi que estava me candidatando para o cargo. Ele notou meu estado lastimável, e eu tentei salvar o que restava da minha dignidade com uma piada fraca. Pela primeira vez, achei que vi algo se mover no canto da boca dele.
Então ele abriu as portas do escritório.
O desastre no tapete perfeito
Lorenzo Rossy estava sentado atrás de uma mesa impecável, esculpida em pedra escura, usando um terno cinza sob medida. Seu olhar percorreu minhas roupas molhadas, meu sapato quebrado e, por um instante, pareceu medir cada detalhe da minha coragem.
Quando ele disse “Sente-se”, eu tentei obedecer rápido demais. O salto cedeu de vez. Eu cambaleei, bati na mesa e minha bolsa se abriu inteira, espalhando tudo sobre aquela superfície perfeita.
- pílulas para dor
- moedas soltas
- um pacote de absorventes
- duas revistas românticas
- um carregador embolado
- um manual de impostos todo marcado
Fiquei parada, morrendo de vergonha, enquanto ele observava o caos em silêncio. Minha bolsa, meu sapato e até minha sorte pareciam ter declarado guerra contra mim.
“Eu precisava daquele emprego. E, naquele momento, a única coisa que me sobrava era honestidade.”
Uma chance inesperada
Mesmo sem olhar para mim, Lorenzo me perguntou sobre meu atraso. Eu expliquei sobre o trem, sobre o sapato quebrado e sobre o quanto eu tinha me esforçado para chegar ali cedo. Ele respondeu que eu deveria ter me planejado melhor. Eu engoli seco, mas continuei.
Contei que digitava noventa palavras por minuto, que conseguia consertar planilhas danificadas e que já tinha organizado anos de documentos guardados em sacolas de supermercado. Ele ouviu tudo sem piscar. Então mencionou a secretária anterior — a que não fazia perguntas.
Quando perguntei se ele tinha gritado com ela, a resposta veio curta e estranhamente seca: “Sim”. Foi nesse instante que percebi que aquele trabalho seria tudo, menos comum.
O começo de algo maior
Nos dias seguintes, eu descobriria que havia um erro contábil capaz de salvar Lorenzo de um prejuízo de duzentos mil dólares. Também encontraria um microfone escondido dentro do prédio, prova de que alguém estava espionando a empresa por dentro. E, aos poucos, as histórias sobre as secretárias que haviam “fugido” começaram a parecer muito mais complexas do que simples demissões.
O problema é que quanto mais eu descobria, mais percebia que estava mexendo com segredos perigosos demais para um escritório de luxo em Chicago. E Lorenzo Rossy, por trás da fama de homem implacável, parecia saber muito mais do que dizia.
Resumo: uma entrevista desastrosa virou o início de uma história de mistério, tensão e segredos corporativos, em que a nova secretária pode acabar mudando o destino de um império inteiro.



